Quando eu decidi me tornar nômade no Nordeste, eu achava que estava preparado. Eu tinha feito pesquisas, visto vídeos, lido relatos, conversado com pessoas. Na minha cabeça, era só escolher a cidade, arrumar a mala e viver o sonho. A realidade, como sempre, foi mais complexa. Não foi ruim, mas foi muito mais educativa do que eu imaginava. E boa parte do que aprendi veio exatamente dos erros que cometi no caminho.
A Ilusão de Que Tudo Seria Barato
Meu primeiro grande erro foi romantizar demais o custo de vida. Eu cheguei acreditando que tudo seria extremamente barato e que meu dinheiro renderia de forma quase mágica. Sim, é mais barato que a capital, mas não é gratuito. Quando você soma aluguel, internet de qualidade, alimentação fora de casa, transporte e lazer, a conta aparece.
Eu não fiz uma planilha realista no início. Fui no “achismo”. Isso gera frustração. Aprendi na prática que planejamento financeiro é o alicerce de qualquer vida nômade.
Escolher Cidade Só Pela Beleza
Meu segundo erro foi escolher a primeira cidade pela estética e não pela estrutura. Eu vi fotos lindas, paisagens incríveis e pensei: “é aqui”. Só depois percebi que a internet oscilava, que os serviços eram limitados e que a logística era mais complicada do que eu previa.
Beleza sem estrutura vira estresse. Hoje eu sempre digo: primeiro infraestrutura, depois paisagem.
Subestimar a Importância da Internet
Eu achei que qualquer internet “dava conta”. Não dava. Em mais de uma cidade, perdi reuniões, travou chamada, caí no meio de entrega. Isso gera ansiedade, atrapalha a credibilidade e mina a produtividade.
Aprendi que, como nômade, internet não é detalhe, é ferramenta de sobrevivência. Hoje, só fecho aluguel depois de testar a conexão.
Achar Que Me Adaptaria Imediatamente
Eu cheguei com a expectativa de que em poucos dias estaria completamente adaptado. Ledo engano. Existe um choque cultural, mesmo dentro do Brasil. Ritmo diferente, comunicação diferente, horários diferentes, dinâmica social diferente.
Eu fiquei inquieto no começo. Achava tudo lento. Depois percebi que o lento era o normal e o acelerado era eu.
Não Criar Rotina Desde o Início
Outro erro foi não estruturar uma rotina clara. Eu misturava trabalho com lazer, atrasava horários, trabalhava de madrugada e descansava de dia. Isso bagunça a mente e o corpo.
Ser nômade não é ser desorganizado. Pelo contrário. Quanto mais livre, mais disciplinado você precisa ser.
Achar Que Isolamento Não Me Atingiria
Eu me considerava independente, mas subestimei o impacto do isolamento. Em cidades pequenas, se você não se movimenta socialmente, a solidão bate. E bate forte.
Demorei para procurar academia, café, feira, igreja, eventos locais. Quando fiz isso, tudo mudou. Conexão humana é combustível emocional.
Não Estudar a Cidade Antes de Ir
Teve lugar que cheguei sem saber onde ficava mercado, hospital, farmácia, banco. Fui aprendendo no improviso. Isso cansa. Hoje eu sempre mapeio tudo antes.
Saber onde estão as coisas te dá sensação de controle, e controle gera tranquilidade.
Querer Levar a Vida da Capital Para o Interior
Esse foi um erro silencioso, mas profundo. Eu queria que o interior funcionasse como a capital. Mesmos horários, mesma agilidade, mesma lógica. Isso gera conflito interno.
O interior não é uma versão menor da capital. É outro sistema operacional. Quando eu aceitei isso, a experiência ficou muito mais leve.
Achar Que Tudo Seria Perfeito
Eu entrei achando que tinha encontrado a solução da vida. Isso cria uma expectativa impossível de sustentar. Nenhum lugar é perfeito. Todo lugar tem desafio.
Quando você entende isso, você para de procurar o lugar ideal e começa a construir a vida possível. E isso é libertador.
Não Ter Plano B
Teve cidade que não funcionou. Simples assim. E eu não tinha plano B. Isso gera ansiedade. Hoje eu sempre tenho duas ou três opções mapeadas.
Nômade esperto não se prende, se prepara.
Achar Que Economia Vem Sozinha
Eu achava que só de mudar de cidade iria economizar. Não é automático. Se você mantém hábitos caros, a conta continua alta. Restaurante todo dia, delivery, lazer constante… tudo pesa.
A cidade ajuda, mas quem manda é o comportamento.
Ignorar o Clima
O calor, em alguns lugares, é intenso. E isso afeta produtividade, sono e humor. Eu não levei isso em conta no início. Hoje, escolho horários de trabalho, ventilação da casa e rotina pensando no clima.
Detalhe pequeno que faz diferença gigante.
Passo a Passo Do Que Eu Faria Diferente Hoje
Primeiro: escolher cidade pela infraestrutura, não pela estética
Segundo: testar internet antes de fechar aluguel
Terceiro: montar rotina nos primeiros três dias
Quarto: mapear serviços essenciais
Quinto: buscar socialização ativa
Sexto: controlar gastos desde o início
Sétimo: ter plano B sempre pronto
Se eu tivesse feito isso desde o começo, teria evitado boa parte do desgaste.
O Erro Que Mais Me Ensinou
O maior erro foi achar que eu estava fugindo de algo, quando na verdade eu estava me construindo. No início, eu tratava a mudança como escape. Depois entendi que era estratégia.
Quando você muda com consciência, a experiência muda com você.
O Que Esses Erros Me Deram
Eles me deram maturidade. Me deram visão. Me deram clareza. Me deram humildade. Me deram estratégia.
Hoje eu entro em uma cidade nova com outro olhar. Não é mais empolgação cega, é análise consciente.
A Virada de Chave
Teve um momento em que parei de tentar “viver o sonho” e comecei a viver a realidade. E a realidade, curiosamente, foi muito melhor. Menos pressão, menos expectativa, mais presença.
Quando você para de querer que tudo seja incrível, tudo fica mais leve.
A Verdade Que Ninguém Te Conta
Ser nômade no Nordeste é maravilhoso, mas não é automático. É construção diária. É ajuste constante. É adaptação contínua. É escolha consciente.
Não é sobre o lugar. É sobre como você se posiciona dentro dele.
O Que Eu Diria Para Quem Está Começando
Você vai errar. E está tudo bem. O problema não é errar, é insistir no erro por orgulho. Ajuste rápido, observe mais, escute o lugar, respeite o ritmo.
O Nordeste não te pede pressa. Ele te pede presença.
O Que Fica No Fim Das Contas
Se eu não tivesse cometido esses erros, talvez não tivesse aprendido tanto. Hoje eu olho para trás com gratidão. Cada falha virou ferramenta. Cada dificuldade virou filtro. Cada tropeço virou direção.
Eu não me tornei nômade no Nordeste apesar dos erros. Eu me tornei melhor por causa deles.
E se tem uma coisa que posso garantir é: quem aprende rápido, sofre menos. Quem aceita o processo, aproveita mais. Quem respeita o ritmo, vive melhor.
E quando você entende isso, a experiência deixa de ser tentativa… e vira caminho.




